Arquivo para a categoria 'luxo'

26
nov
07

diário: página cinco

Faz tempo que não ía pra casa, creio que mais de quatro anos que estou a caminhar pelas ruas de São Paulo. Fui ver como estava minha mansão no Morumbi.

Cheguei no bairro que tantos anos morei, não senti falta desde então, preciso de um lar, talvez eu mude, mas mesmo assim tive que pegar minhas coisas em casa.

Lí a placa que tantos anos não via “Rua Passaros e Flores”, belo nome não? É aqui próximo a avenida Morumbi, estava a me aproximar da minha mansão quado um segurança, sabe aqueles que fazem honda?, me parou e quis saber se mim.

Só foi eu dizer que morava aqui pra ele achar que sou um mendigo, louco e bebado; já foi me puxando pelo braço. tentei ser educado, que estive fora por alguns anos, numa outra experiencia de vida. Nada adiantou, ele já partira pra ignorancia.

É impressionante como este ricassos se protegem, chamam qualque paraíba ignorante pra proteger, ridículo! Qualquer mané pode virar segurança de gran-fino.

Foda-se esta merda de bairro, não quero mais morar neste lugar, vou procurar outro.

Humilde casa no Morumbidsc02829.jpg

23
nov
07

diário: página três

O dia está frio, final de tarde bonita aqui no Morumbi, o sol se põe alaranjado.

Eu estava de cabeça abaixada enquanto andava, quando me deparei estava no Jóquey Club de São Paulo. Ví uma faixa “Leilão de artes”; entrei.

Muita gente bem vestida, cada casaco de pele, coitado dos pequenos Dálmatas… Eu passei e ouvi se dirigirem a mim:

-E esse daí quanto que ele vale? Eu vim sem meu porquinho de moedas hoje! E todos riam.

Eu fiqui no canto observado como fuuncionava o leilão. Vasos, esculturas, quadros; quando me aparece um móbili lindo, este tem que ser meu!

Começou o lance, 10 mil reais. Logo a mulher com o casaco, a dos Dáltamas lembra, lebanta a mão e diz: -15 mil! Ninguém mais se pronunciou. O Juiz ía bater o martelo quando eu levando e peço: -Vinte Mil! Riram de mim acharam que foi piada. Mas eu insisti: -Compro por Vinte Mil! Foi um alarde, diziam que não era para eu estar ali, que eu não tinha dinheiro, me queria fora dalhi urgente.

Bem, tirei minha carteira do bolso e mostrei o cheque especial. Pronto! to dentro, este móbili vai ser meu! Agora fiquei bravo!

A Cruela levanta e diz: -Vinte e cinco! Eu logo levanto e peço: -Trinta e três mil! Foi uma questão de ego naquele momento eu admito. A mulher também queria uma disputa disse: -Quarenta! Rebati: -Cinquenta Mil! E ela: -Sessenta e cinco. E eu:-Setenta Mil reais! neste momento estávamos os dois de pé, era entre eu e ela.

A Cruela se empolga e solta um:-Oitenta Mil! Fiquei muito bravo, é impressionante como isso dá uma adrenalina. Gritei: Noventa e cinco Mil! Ela nem esperou eu terminar: Cento e Cinquenta mil reais!! Pronto, agora sim, um silencio toma o leilão, todos olhando pra mim, eu pensei bastante, olhei para aquele móbili velho, agora com menos encanto e me sento.

O Juiz faz a contagem e A Cruela Leva o móbili. Levanto e saio dalhi. Fiquei pensando como era um idiota, quase pago cem mil reais num objeto velho. Fui pra padaria comer um pão na chapa. Fiquei quieto o dia todo…

06
nov
07

Diário: página DOIS

Meu sapato me dói os calcanhares, faz tempo que ele me acompanha pra cima e pra baixo nesta cidade, caminhamos tanto juntos, os furos não me encomodam, mas não dá mais, vou ter que comprar outro!

Lembrei que a pouco foi erguido aqui perto, na Marginal Pinheiros, uma loja grande, chama “Das-alguma coisa”, vou ver se gosto de algum modelo por lá. Cade o meu cartão de crédito? Que diabos!

Não sabia que era tão grande, estacionamento grande, cada carrão. Gente chique até, alinhei meu poncho antes de entrar. Estava entrando quando derrepente um homem de terno e óculos escuros me esbarra, tomei um susto danado. Quando lí no crachá “segurança”. Pedi desculpa por educação, desviei e fui entrando. E ele me impediu de novo e disse pra eu sair imediatamente. Eu disse que não, precisava de sapatos novos, como assim imediatamente? Sou um senhor com idade já!

Ele veio me pegando pelos braços pra um lugar mais afastado eu não entendi nada. Falou que eu não podia estar ali que iria compromete-lo. Mas porque? Eles não vendem sapatos aqui eu dizia. Pois bem vim comprá-los! Ele me tratava como louco. Continuava a me empurrar. Aí tive que perder a compostura. Disse qual era o problema, tentei me desvencilhar do negão, mas era muito forte.

Me jogaram pra fora dali, precisavam me jogar no chão? Na queda achei mei cartão. Quem eles pensam que é? Disse que queria comprar um sapato e sacudia o cartão. eu fui tratado como bandido. Mas como já estou velho não gastei minhas energias. Dei meia volta e continuei minha caminhada a procura de um sapato.

Quando virei a esquina me aparece um coreano figura com um carrinho de mão. Dizia: Naike, Adidás, Naike Adidás. Chemei-o e levei um Adidás, preto com listras brancas, bonito ele e macio. Apenas 7 reais, eu não acreditei no preço, dei cinquenta. Acredita? Um tenis por cinquenta reais? depois dizem que tem miserável no Brasil, como? Qualquer um pode ter um tenis!

Mas ainda não consigo jogar fora meu velho sapato. Ainda está dentro do saco de lixo sob minas costas…

Daslú

02
out
07

Diário: página UM

Hoje acordei bem, já estou habituado com o chão duro. Frio hoje não fez, ainda bem. Coloquei meu sapato furado peguei minha sacola e fui tomar um café. Escolhi a Kopenhagen, na Vila Madalena. Pedi expresso brasileiro, mas não parecia grão nacional. Fiquei insatisfeito com aquele mísera chícara. Pedi a conta; juntei minhas moedas sobe a mesa, me olhavam feio, deve ser as moscas, fazer o que se elas gostam de mim? Tentei mudar o clima: deixei gorjeta apesar de ser mal atendido; acho que dei pouco, mesmo assim entortávam o nariz… Num volto mais lá não. Bem, vou tomar meu uisque em outro lugar..

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