Arquivo para Novembro 27th, 2007

27
Nov
07

diário: página sete

Acordei com a ideia fixa na cabeça: -Vou voltar a minha vida antiga!

Fui em direção a Alphaville, lá fui a busca de um novo lar. Precisava de um Taxi, quem disse que paravam pra mim? Estendia a mão e nada, não sou tratado como gente pois estou com roupas sujas, barba grande e carrego um saco preto nas costas. Não teve jeito, apelei, ví um taxista parado, tirei as notas da carteira e falei: -Me leva pra Alphavile urgente! Pronto, assim foi fácil!

Chegando lá a missão foi entrar em algum condomínio (dos 12 Alphas). Impossível, a segurança de lá é muito rígida, nem carro chique sem autorização não entrava, imagine eu feito mendigo.

Fui procurar uma imobiliária, nada, fui barrado na primeira e quando tentei a segunda já era tarde, passava das 18 e todas estavam fechadas. Já estava cançado andei muito a toa.

Bem, o jeito foi dormir em algum canto e esperar o amanhã em busca de uma casa. Tive que me esconder, em Alphaville existe uma polícia local que retira os moradores de rua.

Estava bem num canto, perto de um canteiro; durmi…

O cheiro de gasolina me acordou, um pulo eu dei, quatro playboys um fósforo riscou, fogo…

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Na madrugada do dia 20 de abril de 1997, o índio Galdino Jesus dos Santos, 44 anos, do povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, do estado da Bahia, dormia no ponto de ônibus de uma praça pública de Brasília. Tinha ido para a Capital com uma delegação de oito lideranças de seu povo, com o objetivo de buscar apoio para as suas reivindicações no sentido de recuperação do território, invadido por muitos fazendeiros.A terra tradicional dos Pataxó Hã-Hã-Hãe é denominada de Terra Indígena Caramuru-Catarina Paraguaçu, possui 53.400 hectares e foi demarcada em 1934.

Naqueles dias, uma marcha nacional do MST havia chegado à cidade. Galdino participou da recepção aos sem-terra e de reuniões destes com autoridades, inclusive com o presidente da República da época, Fernando Henrique Cardoso, para colocar também as reivindicações indígenas. Galdino dormia no ponto de ônibus porque chegou tarde das reuniões na pensão onde estava hospedado. A dona da pensão se recusou a abrir a porta para ele.

Eram cinco horas da manhã quando Galdino acorda completamente em chamas. Socorrido por jovens que voltavam de uma festa, foi levado para o hospital. Tinha queimaduras em noventa e cinco por cento do corpo. Entrou logo em coma e faleceu às duas horas da manhã do dia 21 de abril de 1997. Antes de ficar inconsciente, perguntava para os médicos que o atendiam: “Por que fizeram isso comigo?”

Essa pergunta, até hoje é difícil de ser respondida. Essa pergunta sacudiu a sociedade brasileira na época, chocada com o horror da crueldade que ciclicamente nos atinge, às vítimas em primeiro lugar e, em seguida, a todos nós, em nossa auto-imagem de humanidade e civilização.

Os autores da barbárie foram cinco jovens de classe média brasiliense, um deles menor de idade. Numa noite vazia, resolveram atear fogo numa pessoa que dormia indefesa para, segundo declarou o menor, se divertirem. Cometido o crime, fugiram, mas um outro jovem que passava por ali, um chaveiro, anotou o número da chapa do carro dos assassinos e o entregou à polícia.

Depois da brutalidade, os criminosos foram para casa dormir, como se nada tivessem feito. Foram identificados e presos. Diante da comoção nacional ainda quiseram se defender, com o seguinte argumento: “Não sabíamos que era um índio, pensávamos que era só um mendigo.” Ou seja, em mendigos é permitido atear fogo.

Por Paulo Maldos <<<<<<<<<<<<<<<<

 

27
Nov
07

diário: página seis

Que cansera, esse chão duro está acabando comigo!

Acordei hoje todo dolorido e precisava de cuidados, um mendigo não tem direito nem para um Dorflex, imagina um massagista?

Bem, lá fui eu de novo para mais uma tentativa de me infiltrar no meio da hight society como mendigo. Mas estava realmente chato!

Passei e li: Banho Turco Sauna. Opa! Entrei e dei de cara com um metido a segurança, sempre os malas paus mandados dos ricos, aspirantes milhonários. Idiotas! Querem ser aquilo que odeiam!

Estava com dores nas costas, ou seja, impaciente para um paraíba ignorante [NOTA: lembrar da humildade!], empurrei o mala de terno e entrei. -Quero um banho Turco e uma Massagem! Falei meio alto, todos se viraram assustados, a recepcionista não sabia o que fazer, pegou o telefone e com tres digitos chamou por ramal a gerente. Nesta pausa, enquanto a mulher não vinha, eu me acalmei. A mulher chegou e eu me dirigi a ela falando em ingles, a idéia me veio a cabeça e funcionou. Só de falar inglês com a mina ela já me tratou de outra forma. Fui um cavalheiro nas palavras. Preconceituosa dos infernos! Aquele sorriso quando viu meu cheque especial, não sai da minha cabeça.

Hoje tive dia de rei, sauna, hidromassagem, massagem; vestido só de toalha os outros milhonários me tratavam como um deles. Ah que bom! Champagne, uvas, queijo brie (que saudade do queijo)…

Hoje foi um dia dificil para minha empreitada, estou quase me rendendo a minha vida antiga, os valores materias me voltam a tentação… A vida de milhonário…

Amanha vou procurar uma casa pra morar, vou voltar minha vida antiga, vou procurar uma casa em Alphaville!

Banho Turco em Pinheros




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