Meu sapato me dói os calcanhares, faz tempo que ele me acompanha pra cima e pra baixo nesta cidade, caminhamos tanto juntos, os furos não me encomodam, mas não dá mais, vou ter que comprar outro!
Lembrei que a pouco foi erguido aqui perto, na Marginal Pinheiros, uma loja grande, chama “Das-alguma coisa”, vou ver se gosto de algum modelo por lá. Cade o meu cartão de crédito? Que diabos!
Não sabia que era tão grande, estacionamento grande, cada carrão. Gente chique até, alinhei meu poncho antes de entrar. Estava entrando quando derrepente um homem de terno e óculos escuros me esbarra, tomei um susto danado. Quando lí no crachá “segurança”. Pedi desculpa por educação, desviei e fui entrando. E ele me impediu de novo e disse pra eu sair imediatamente. Eu disse que não, precisava de sapatos novos, como assim imediatamente? Sou um senhor com idade já!
Ele veio me pegando pelos braços pra um lugar mais afastado eu não entendi nada. Falou que eu não podia estar ali que iria compromete-lo. Mas porque? Eles não vendem sapatos aqui eu dizia. Pois bem vim comprá-los! Ele me tratava como louco. Continuava a me empurrar. Aí tive que perder a compostura. Disse qual era o problema, tentei me desvencilhar do negão, mas era muito forte.
Me jogaram pra fora dali, precisavam me jogar no chão? Na queda achei mei cartão. Quem eles pensam que é? Disse que queria comprar um sapato e sacudia o cartão. eu fui tratado como bandido. Mas como já estou velho não gastei minhas energias. Dei meia volta e continuei minha caminhada a procura de um sapato.
Quando virei a esquina me aparece um coreano figura com um carrinho de mão. Dizia: Naike, Adidás, Naike Adidás. Chemei-o e levei um Adidás, preto com listras brancas, bonito ele e macio. Apenas 7 reais, eu não acreditei no preço, dei cinquenta. Acredita? Um tenis por cinquenta reais? depois dizem que tem miserável no Brasil, como? Qualquer um pode ter um tenis!
Mas ainda não consigo jogar fora meu velho sapato. Ainda está dentro do saco de lixo sob minas costas…

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